Por quê o plano da casa própria é a maior mentira que já te contaram!

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Durante os muito anos que trabalhei no  mercado financeiro, provavelmente o assunto que sempre gerou maior controvérsia é o plano da casa própria oferecido pelos bancos!

Já vi a muita gente comemorando e pulando de alegria por finalmente ter conseguido dar entrada no financiamento da casa própria...

E também vi a outros chorando, arrasados por ter descoberto, da pior maneira possível, que na realidade aquela casa própria dos sonhos não era tão “própria” assim.

O que quero dizer com isso é que existe uma falsa crença generalizada que financiar um imóvel é necessariamente um investimento seguro já que, se algum imprevisto ocorrer, você vai ter um local seu para morar, sem ter que se preocupar em pagar aluguel.

Além disso, para muitas pessoas, assinar um financiamento representa a construção de um patrimônio, que logo poderá ser deixado para os filhos.

 

Um caso real e, infelizmente, bastante comum...

 

No entanto, posso garantir que um dos momentos mais complicados que já passei na minha carreira ocorreu quando um senhor, na faixa dos 50 anos, me pediu para esclarecer o conteúdo de uma carta que ele tinha recebido do banco.

Este senhor tinha “investido” por mais de 15 anos todas as suas economias num financiamento de uma casa para ele, para a esposa e para os filhos.

Ele me contou que, como o salário dele era a principal fonte de renda da família, ele tinha decidido fazer esse financiamento para ter uma maior segurança e um patrimônio para deixar para os filhos quando eles forem mais velhos.

Na época, ele tinha um muito bom salário, e conseguia economizar uma parte importante do que ganhava. Mas, passados 15 anos investindo cada centavo na “construção desse patrimônio”, a empresa na qual este senhor trabalhava tinha fechado as portas.

Além disso, estava tendo muita dificuldade de encontrar um novo trabalho, as contas já estavam atrasadas, e as parcelas do financiamento da casa já acumulavam juros e multas por meses de atraso no pagamento, o que só dificultava ainda mais a situação.

O comunicado recebido do banco algumas semanas atrás era bem claro, mas a verdade era tão dura que o senhor parecia não acreditar.

A carta basicamente dizia que a casa “própria” deste senhor, na qual ele tinha investido suas economias por 15 anos, iria a leilão para quitar o financiamento que não estava sendo pago!

“Mas o banco pode fazer isso?! A casa é minha e estive pagando por ela os últimos 15 anos!!”.

 

Falsas crenças relacionadas à casa própria

 

Infelizmente, essa é a grande ilusão do “Plano da Casa Própria” que os bancos contam.

Até que o financiamento esteja totalmente pago, na prática a sua casa “própria” continuará pertencendo ao banco.

E, no caso de impossibilidade de pagamento do financiamento, basta um procedimento relativamente simples por parte do banco junto ao Cartório de Registro*1 para a retomada da posse do imóvel.

Ou seja, de maneira bastante segura e rápida (para o banco!), a sua casa “própria” pode voltar a quem na verdade ela sempre pertenceu.

 

Uma ilusão atrás da outra

 

Mas as falsas crenças relacionadas à casa própria não param por aí...

As propagandas dos bancos relacionadas ao  financiamento imobiliário  normalmente mostram sinais de prosperidade, com uma família feliz e com as chaves de uma casa novinha na mão e um super carro na garagem.

Na prática, esta família pode estar assumindo uma dívida de até 35 anos com um banco!

Ou seja, um casal jovem de aproximadamente 30 anos poderá continuar pagando essa dívida e todos os juros associados até os 65 anos de idade!

Seria como definir hoje onde você vai morar, e pra onde serão destinadas as suas economias, nas próximas décadas!

Além disso, aquela casa que hoje é nova e tem um aspecto bem moderno só vai realmente deixar de pertencer ao banco e passar a ser uma casa própria depois de muitos anos, quando já não for mais tão nova ou moderna como era ao início do financiamento.

Para fazer uma melhor idéia do que isso representa, dê uma olhada em imóveis construídos ao final dos anos 90 (com aproximadamente 20 anos de construção) e pense que isso é o que um financiamento da casa própria poderia permitir, e não aquelas casas novas e de design ultra moderno que os bancos utilizam nas suas propagandas.

Claro que ao longo de todo este tempo, existe sempre a expectativa de algum aumento salarial ou bônus, que possibilitaria acelerar esse pagamento e antecipar as parcelas do financiamento.

Mesmo que essa seja uma opção viável, sinto muito por informar que os bancos também estão preparados para estas situações, e as condições e taxas previstas em contrato para antecipação das parcelas costumam beneficiar muito mais os próprios bancos que os seus clientes.

É importante comentar também que, ao decidir financiar uma casa, o seu dinheiro estará dedicado ao imóvel, e não disponível para você utilizar se surgir algum imprevisto.

Imóveis não apresentam “liquidez”, ou seja, não são bens que podem ser vendidos de maneira imediata. No caso de alguma emergência ou necessidade, a última coisa que você vai querer é ter todo o seu dinheiro “engessado” num imóvel, sem poder utilizá-lo.

 

Então financiar um imóvel é sempre uma péssima opção?

 

Não é bem assim. Tudo isso que comento não significa que você não deva nunca financiar um imóvel!

O que enfatizo é que a realidade de um financiamento de um imóvel pode não guardar muita relação com a imagem de segurança, prosperidade e  construção de patrimônio que os bancos vendem com suas propagandas.

Mas também é verdade que financiar uma casa pode representar muito mais que puramente os aspectos econômicos envolvidos na operação, de tal maneira que esses custos podem ter uma menor importância conforme a sua expectativa ou necessidade específica.

Assim, antes de assinar um contrato de tão longo prazo, é muito importante se informar muito bem sobre as opções de financiamento.

Além disso, contando com uma orientação financeira adequada, você também pode conhecer as alternativas que você teria (sim, existem alternativas!) para otimizar o seu financiamento, ou simplesmente para não precisar financiar a casa dos seus sonhos, além de saber como comparar e avaliar muito bem cada uma destas opções.

Só assim você vai assegurar que esse imóvel realmente possa representar a tranquilidade e autonomia financeira que você busca pra você e para a sua família.

 

*1 Nota: este seria o caso dos financiamentos oferecidos pela maioria dos bancos, considerando garantia por alienação fiduciária. Nos casos (cada vez menos frequentes) de garantia hipotecária, o processo pode demorar mais tempo já que a cobrança da dívida será por execução judicial.

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